quarta-feira, 10 de maio de 2017

Amamentar, esse momento 8 e 80 da vida!

Oi pessoal, tudo bem?

Gael: 2 meses e 23 dias


Ahh, a amamentação, não é mesmo? Esse momento tão maravilhoso de olhos nos olhos, você ser o alimento do seu filho, tudo o que ele precisa pra viver está ali, em você! É lindo? É incrível! Mas ao contrário do que as pessoas pensam quando vêem aquela mãe plena e serena dando de mamar na rua, nem sempre foi assim esse mar de rosas! Pelo menos não nos primeiros dias, quiçá nos primeiros meses. A não ser que você seja uma daquelas mães abençoadas pelo cosmos que tiraram a amamentação de letra (sim, elas existem, conheci duas enquanto estava grávida), você vai se identificar com o que eu vou falar.

Aqui vai o meu primeiro contato com a amamentação: A primeira coisa que a gente faz é estudar essas questões todas pela internet, né verdade? Eu via vídeos, estudava imagens, lia textos.. na teoria tudo estava maravilhoso! Eu achava que ia ser banana com mel, já que eu estava craque no assunto. Hahahaha doce ilusão! Quando a enfermeira colocou Gael no meu colo e perguntou: "E aí, mamãe? Pronta pra dar de mamar?", eu estava excitada e agitada pra pegar meu filho no colo e mal pensei no que estava por vir. Aquela moça estranha agarrou nos meus peitos e começou a apertar meu bico freneticamente! Pra minha sorte não demorou muito e o colostro apareceu. Tive medo que ela ficasse ali até que meu peito produzisse milkshake, sei lá. Apertando meu bico até virar uma uva-passa ela enfiou na boca no meu filho, que pra minha sorte, também não demorou muito pra começar a sugar. Ela me disse algumas coisas sobre os horários que ele tinha que mamar, falou sobre trocar a fralda, tudo numa velocidade considerável, e eu olhando pro meu filho sugando meu mamilo pela primeira vez, não dei muito ouvido. Até aí tudo esta lindo, que momento!!



Ele mamou por umas meia hora, mais ou menos, e soltou sozinho adormecido. Meu primeiro susto: meu bico estava amassado e com um pedaço roxo como se tivesse sangue pisado! Parecia realmente um projeto de uma uva-passa Mas o que??? Não estava doendo, parecia tudo tão certo! Como eu já estava machucada? Aquele peito nunca mais seria o mesmo, acreditem. Até hoje, sinto uma certa ardência nele quando Gael mama por muito tempo. Eu errei em não questionar melhor a enfermeira sobre como eu deveria colocar meu filho pra mamar! Se tem uma dica que eu dou é essa! Questionem! Peçam ajuda! Pergunta pra vó, tia, papagaio! Mas não tentem fazer sozinhas!    Eu achava que tinha que esmagar meu bico pra ele pegar, pq foi assim que eu vi a moça fazendo, e aí, minha amiga, já era! Eu acabei com o meus dois bicos antes mesmo de anoitecer! Na terceira vez que meu filho pegou meu peito pra mamar eu já estava sentindo uma dor considerável! Fora a dor da cirurgia, fora o mal jeito pra pegar ele, fora a quantidade de gente visitando, fora o susto de num dia estar grávida no outro ser mãe, fora tantas, mas tantas coisas que não consigo nem listar. A primeira noite foi sem duvidas a mais difícil da vida. Com sono, cansada, morrendo de dor, num quarto de hospital, meu filho chorando e eu não sabia o que fazer. Eu chorava junto! Eu chorava muito junto!!

O primeiro mês da amamentação foi um circo de horrores, cada vez que ele pegava errado machucava ainda mais, meu bico já estava sangrando, rachado, com vários pontos roxos, mas meu filho tinha fome, e eu precisava colocar ele pra mamar! Eu nunca senti uma dor parecida com essa em toda minha vida! Eu não senti as dores do parto, então não tenho como dizer. Mas a dor da amamentação, me matou! Eu juro que eu entendo as mães que acabam desistindo, pq eu mesma pensei em desistir várias vezes... mas como o mantra das mães parece ser esse, é o que eu vou te dizer nesse momento: VAI PASSAR!



Os primeiros meses são realmente muito difíceis, absurdamente difíceis, mas vai melhorando, aos poucos as coisas entram no lugar e você vai poder aproveitar desse momento incrivelmente lindo que é ser o alimento do seu filho! Cada vez que eu alimento ele, a cada consulta na pediatra me dizendo que ele está engordando e saudável, aquele olhar profundo dele, não tem preço! Eu passaria por toda dor de novo, eu enfrentaria tudo de novo pra poder continuar alimentando o Gael! Então mamães, #força! Muita força pq você vai precisar... e aproveite cada segundo.



Mas se no final das contas você achar que não vai conseguir, mamãe, não se sinta a pior pessoa do mundo. Pq nem de longe você é. Todas nós sabemos o que é isso, e precisamos aprender a parar de julgar outras mães pois já estivemos lá, sabemos como é. Cada uma sabe a sua dor e seus limites e não existe jeito certo ou errado de criar o SEU filho! ❤️

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Questões de Gênero na Infância - Brinquedos

Oi Pessoal,

A gente sabe que mesmo nos dias de hoje ainda é difícil encontrar homens desconstruídos, eu não to falando de homens vulgo feministos, estou falando de pessoas melhores, menos machistas, com a cabeça mais aberta, entende? 
A realidade é que ainda vivemos numa sociedade retrógrada e conservadora onde MUITAS pessoas pensam que lugar de mulher é na cozinha lavando louça e fazendo comida, que homem não tem obrigação nenhuma de fazer essas mesmas tarefas pq isso é coisa de mulher e muito menos cuidar dos filhos pq isso também é coisa de mulher



Ainda tem gente que acha que o cara já faz mais que o suficiente colocando o dinheiro dentro de casa e ela que se vire com o resto. É só olhar pros lados, não precisa ir longe não. É o seu vizinho, o seu irmão, o seu pai, o tio, o amigo, o primo, e até mesmo as mulheres fazem isso, por mais difícil que seja aceitar que muitas ainda pensem assim. 
Não amigos, essa não é a ordem natural das coisas. Nós mulheres não nascemos pra isso e vocês homens pelo simples fato de não gerar um filho na barriga não estão liberados da obrigação de cuidar deles tanto quanto a mulher. Não, amigos, o fato de você trabalhar fora não te dá direito de jogar todas as responsabilidades da casa na sua mulher (que pode ou não trabalhar fora também), afinal, você mora na mesma casa, você suja louça, usa o banheiro, come, caga.. enfim. Isso inclui os filhos homens.
Eu não estou aqui pra contar uma história verídica pra vocês de como chegamos nesse ponto. Pra isso é só você entrar no Google e numa breve pesquisa você vai entender de onde vem o machismo e toda a interferência dele na nossa vida. O fato é que precisamos aceitar que ele existe, está enraizado e será muito difícil mudar isso. Mas não impossível.



Eu acredito nos pequenos detalhes, eu acredito que a mudança começa por baixo, na infância, no brinquedo, no ensinamento. A sociedade vai continuar empurrando coisas goela baixo, a gente é forçado a engolir o tempo inteiro, mas eu, como futura mãe, não quero deixar a sociedade me engolir, muito menos engolir meu filho. Eu sei que por ser um menino ele já vai nascer privilegiado nessa sociedade que passa a mão na cabeça dos homens, mas eu preciso por ele e por mim fazer o meu melhor. E é por isso que acredito em coisas como criação com apego e a extinção da criação com gênero! Chega disso de "é de menino, é de menina". Chega de limitar universos e criar distinções.


Pra muitas pessoas isso soa como pura bobagem, mas é o principal, é a base. A criança é uma esponja, você aí adulto é o reflexo da sua infância. A gente aprende muita coisa durante a vida, muda muito, mas princípios básicos ficam enraizados lá no nosso subconsciente e isso é muito difícil de mudar e esses princípios foram passados pra gente lá atrás. De onde você acha que essa história que lugar de mulher é na cozinha, cuidando dos filhos, buscando um marido pra casar? 

Olha pros brinquedos de qualquer MENINA e me diz se você chega nessa conclusão sozinho! Reparou? As meninas brincam de boneca, de cuidar de nenéns, de cozinhar, ganham panelinhas, fogãozinho, ganham maquiagens de brinquedo e desde muito novas são jogadas no universo do consumismo, dos padrões de beleza. As meninas vivem sendo chamadas de princesas e bonecas, mas quando olham para as princesas e as bonecas são de longe parecidas com elas, e isso já nos diz: "Lute, pra um dia entrar nesse padrão, quem sabe, talvez. Toma aqui também esses vários manuais de como passar a vida tentando chegar lá vulgo revistas, comerciais de tv, modelos absurdas, filmes de romance etc etc etc". E depois nos chamam de fúteis. Mas no final das contas, nos ensinaram outras coisas? Nos ensinaram que podemos ser heroínas? Que podemos na verdade ser o que quisermos? Nos incentivaram a ser aventureiras? A sermos fortes e guerreiras? Não nos disseram nada disso. limitaram nosso mundo. Nos disseram mesmo que silenciosamente que pertencemos aquela pequena bolha e que ali viveríamos. E o feminismo estourou essa bolha pra mim. Talvez isso tudo fizesse mais sentido há alguns anos atrás onde o machismo era ainda pior e nossas mães e vós viveram essa realidade de que não existia outro lugar pra mulher Mas hoje existe. Hoje trabalhamos fora, trazemos dinheiro pra casa também, sustentamos famílias também, nos tornamos empreendedoras, ganhamos mais independência, estamos abrindo espaço na sociedade para nós. Esses brinquedos AINDA FAZEM SENTIDO? Queremos continuar ensinando esses conceitos?

"Ta legal, Elisa, mas seu filho é meninO. E aí? Você até agora falou do que não fazer com as meninas."Mas o que fazer com os meninos?" Parece difícil mas juro que não é.

Não rotulem pros seus filhos os dois universos. É de menina & de menino.

Qual é o problema do menino brincar de cozinha? Nossa, ele pode virar... hum... sei lá... cozinheiro? 

Qual é o problema de um menino brincar com um neném? Ai Elisa, ele pode virar... um BOM pai? 

Qual é o problema dele usar rosa? Oxi, nenhum, é uma cor como todas as outras.

Filhos do Thiago Queiroz - Paizinho, Vírgula
Via Facebook - Acompanhada de uma legenda maravilhosa! Vamos falar dele aqui no próximo post.

E se ele for mais sentimental ou mais delicado? Primeiro que isso é o que a gente quer. Tirar essa estigma de que mulher é frágil e homem é forte. Homens também podem demonstrar sentimentos e emoções e pasmem, homens podem chorar, que tudo bem. Retirar frases como "Seja homem, engole o choro, não aja como uma menininha" É ESSENCIAL!  Pq quando dizemos isso estamos ao mesmo tempo dizendo "Você é melhor que isso, você é melhor que elas". Vocês conseguem perceber? "Ah, Elisa, mas eu morro de medo do meu filho virar GAY por isso". Meu amor, se você tem preconceito, você também tem um problema. Se isso vai diminuir o seu filho perante seus olhos, quem precisa de tratamento na minha concepção é você e não seu filho. E outra, quantos homossexuais você conhece que tiveram uma criação padrão e mesmo assim são gays? Não é o jeito como você cria seus filhos que vai "torná-los" gays. Isso não existe. Incentivar que meninos sejam brutos e meninas delicadas gera um problema lá na frente. E a gente precisa olhar lá pra frente! Conseguem me entender?

Bom, já falei demais. Esse assunto é mesmo infinito e a gente ainda vai falar mais dele aqui, mas por hoje é só! Pra quem ainda quer ouvir mais sobre o tema, vou deixar vídeos que eu considero muito bons <3

Beijos :*













quarta-feira, 30 de novembro de 2016

E o aborto, hein?

Parece que esse é o assunto dos últimos dias devido esta notícia aqui: Supremo Tribunal Federal diz que aborto até o terceiro mês de gravidez não é crime! E aí parece que a timeline do facebook pipocou opiniões sobre o assunto. E eu vim aqui conversar com você sobre a minha opinião e motivos de ser a favor.




Você entende o que a ciência diz sobre isso? É um princípio de vida e não um bebê já formado que sente dor, tem consciência, memórias e noção de existência. Você sabe quem tem isso tudo? A possível mãe dessa possível criança. Essa mulher é uma vida concreta!



Agora vamos pensar sobre alguns FATOS: 

1. Abortos acontecem o tempo inteiro, só que mulheres com dinheiro pagam para ter um aborto seguro, mulheres sem dinheiro correm risco de vida num quarto escuro de um prédio qualquer. 

2. Mulheres (incluindo crianças) são estupradas a cada 11 minutos nesse nosso país.

3. Vimemos num país machista, onde o corpo feminino é objetificado e temos pouquíssimo poder sobre ele. 

4. Milhares de mulheres que engravidam estavam usando camisinha ou pílulas ou qualquer outro método contraceptivo, pois pasmem, eles não asseguram 100%.



5. A responsabilidade de cuidar dessa criança após o nascimento dela, segundo a nossa linda sociedade, aparentemente, cabe unica e exclusivamente a mulher. Afinal, me diz quantas mães você conhece que largaram os filhos com os pais? E quantos pais que largaram com as mães, pagam uma mísera pensão (quando pagam) e visitam de 15 em 15 dias (quando visitam)? Os homens tem total "liberdade" pra fazer isso sem serem crucificados. Já a mulher? Uma moça postou no facebook o seu relado de odiar ser mãe mas amar seu filho, conseguiram denunciar a página dela até ser retirada do ar. Fora os zilhões de cometários e xingamentos absurdos Por uma unica coisinha que vamos falar agora.



6. A sociedade ROMANTIZA a maternidade! Nos fazem acreditar que tudo é a coisa mais maravilhosa do mundo. Que já que nascemos com o poder de dar a luz isso tem que ser um dom e você tem que amar. Mas os pais? Bom, eles não dão a luz, certo? Eles podem só colocar o dinheiro dentro de casa e não trocar fraldas, afinal, isso é responsabilidade de quem? Da mulher óbvio. Isso está errado. A maternidade não tem que ser uma obrigação, e muito menos uma obrigação maravilhosa! Numa breve pesquisa na internet, ou até mesmo, numa breve conversa com uma mãe de uma criança de 3 meses, você vai conseguir relatos de muitas coisas além do "maior amor do mundo". Pergunte se o marido dela ajuda a cuidar da criança (trocando fraldas, pegando quando chora, ficando com a criança pra ela fazer necessidades básicas, ficando acordado de madrugada, etc etc etc...) Pesquise sobre puerpério e depressão pós parto e depois conversamos sobre o que é NORMAL.




7. Precisamos URGENTE praticar uma coisa chamada EMPATIA! Acidentes acontecem e a gravidez pode ser sim um acidente. E isso pode significar uma adolescente mal informada pela família, que nunca conversou sobre o assunto com nenhum parente, que não teve assistência de ninguém com informação, acabar engravidando na sua primeira transa, por exemplo. O que você vai dizer pra ela? "Se vira? Quem mandou abrir as pernas? Vai ter que virar mãe sim porque foi irresponsável? Problema é seu? Coloca pra adoção então! (Oii???)" Isso é ser "pró-vida? Ou então a menina foi estuprada. Ou então a menina estava usando pílula mas engravidou mesmo assim. Ou então a menina estava menstruada e achava que não se podia engravidar menstruada. Ou então essa mulher já tem 4 filhos mas precisa da autorização do marido pra fazer laqueadura. Enfim, não dá pra simplesmente falar "problema é seu, quem mandou?". Dá? Se na sua concepção dá, eu tenho uma coisa pra te dizer, e isso pode te chocar: Você não é pró-vida! Não é mesmo. Não é nem de longe.



8. Essa mulher pode não estar preparada psicologicamente para criar e cuidar de outro ser. Essa mulher pode não estar preparada financeiramente pra criar de outro ser. Essa mulher pode não estar psicologicamente e financeiramente preparada pra criar e cuidar de uma criança extremamente dependente dela pra tudo. Essa mulher pode ter sido abandonada pelo marido/namorado/parceiro, ou pode ter perdido o emprego, ou pode ter perdido alguém muito próximo. "Mas eu não tenho nada a ver com isso, o problema é dela, a questão é que ela é uma assassina!" (Já falamos aqui sobre o que é um feto no começo da sua existência, né? Ela não é uma assassina) Bom, se você não tem nada a ver com isso, você também não tem nada a ver com a decisão dela de simplesmente interromper uma gravidez que ela não desejou e não planejou. Existem milhões de possibilidades, as quais não tem como você imaginar como aquela mulher vai lidar com isso. E principalmente: você não tem direito e ou capacidade de julgar.

9. Contratamos menos mulheres pelo simples fato delas ENGRAVIDAREM! Sério, isso é real! Afinal de contas ela vai ficar 9 meses grávida, faltar por N motivos nesse meio tempo, com atestado, depois ela vai ficar 3 ou 4 ou 5 meses em casa cuidando da criança e só então você vai poder demitir ela. Afinal de contas ela ainda vai faltar mais milhões de vezes pra levar essa criança no médico e etc... E é assim que a sociedade pensa. E é isso que acontece com muitas mulheres que engravidam. Alias, mulheres grávidas conseguem EMPREGO???


Então as perguntas que você deve se fazer: Eu sou mesmo a favor da vida? Qual vida? Será que eu não estou selecionando a "vida" errada? Isso tem a ver com a minha religião? Se tem, eu devo sobrepor minha religião que é MINHA a outras pessoas que não tem nada a ver com ela? Esse assunto é mesmo sobre religião ou sobre saúde pública? Eu devo supor que todas as mulheres tem uma vida igual a minha? Eu consigo me colocar no lugar dessa mulher?

No mais, é sempre bom lembrar que NINGUÉM GOSTA DO ABORTO. E pra isso vou colocar aqui um texto que compartilhei via facebook:

"Ninguém gosta de aborto ou sonha um dia abortar. O aborto não é maneiro e ninguém acha que é.
Nenhuma menina vai transar pensando "dane-se a proteção, se eu engravidar, eu aborto". Nenhuma mulher que abortou conta sobre isso com um sorriso na cara se achando o máximo.
O aborto é uma solução para uma situação que começou errada. Pode ter sido um erro do casal que não se protegeu, pode ter sido um erro do método contraceptivo que falhou.
Quando um homem e uma mulher cisgêneros transam, não adianta: Sempre há a possibilidade de gravidez, por menor que seja. Camisinha fura, pílula falha, tabelinha engana, pessoas vacilam. A gravidez acontece.
E essa menina ou mulher que ficou grávida, se não desejar ter o filho e optar pelo aborto, obviamente, não o fara com alegria, porque era, sim, preferível não estar naquela situação. É um direito que se deve ter para uma situação que se espera (e se faz precauções) para nunca acontecer.
Aliás, tem, sim, um aborto feito com sorriso no rosto: o do homem, que larga a menina grávida e vai viver sua vida como se não fosse responsabilidade dele, como se não importasse se aquela criança vai nascer ou não; vai comer ou não; vai ser feliz ou não. Esse aborto, aos 3 meses ou aos 3 anos, esse é o que deveríamos combater."
~R Wilbert




Beijos :*

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Diário de Grávida - Roupas na Gravidez

Oi gente, tudo bem?

Hoje25 sem e 5 dias  ♥  6 meses
Previsão: 2 de março


Finalmente posso dizer que meus surtos de ansiedade estão BEM melhores! Aleluia! Hoje especificamente não tenho nenhuma novidade sobre a gravidez em si. Gael se movimenta horrores aqui dentro, mas ao contrário do que algumas grávidas dizem, ainda não consigo identificar quando é um pé, uma mão e etc. Tenho um batalhão de exames marcados pro começo de dezembro e consultas com os dois obstretas que estão me acompanhando. Até lá, vamos falar de coisas "aleatórias". Quando você menos espera a sua barriga vai dar um salto! rs Funciona basicamente assim mesmo, num dia ela era um ovinho e aí você pisca e ela já é um mamão, e pisca de novo é um melão e aí vira uma melancia pequena do nada e eu nem sei como vai ser quando virar uma daquelas enormes! hahahahahaha


Apenas um mês de diferença entre as duas fotos. Out > Nov


- Sobre roupas na gravidez! -
A verdade é que isso logo surge na nossa cabeça bem antes de realmente precisar: "Tenho que comprar roupas que vão me servir". A verdade é que demora um pouco até que suas roupas não te sirvam mais, no meu caso, demorou uns 4 meses. Cada uma lida com a situação de uma forma, e depende muito também de vários aspectos. Aqui em casa estávamos passando por vários momentos críticos financeiros e eu não podia simplesmente renovar meu armário com "roupas de grávida". Então aqui vão algumas dicas se você assim como eu não está podendo se dar ao luxo:


- O melhor amigo da grávida é o Vestido! - 

A primeira coisa que vai parar de servir são as calças e shorts jeans (Ok, isso também varia de grávida pra grávida, eu to falando de forma ampla). Até aqui, ainda temos coisas no armário que cabem, como aquelas calças legging, os vestidos, os shorts de tecido, saias e etc. A verdade é que muitas dessas coisas você ainda vai poder usar até quase o fim da gravidez. O que acontece é que os vestidos por exemplo podem ficar curtos demais por causa da barriga. Ou aquela calça legging ser um tanto quanto justa. 
Espere o momento certo de sair pra comprar roupas novas. Você vai sentir quando as peças do armário começarem a ficar escassas. Mas não se desespere. Quando chegar nessa fase compre VESTIDOS. A gente não vai estar grávida pra sempre, certo? De que adianta comprar um mundo de roupas específicas pra grávida que depois que o barrigão sumir não teremos onde enfiar? Então os vestidos são a melhor opção em todos os aspectos. É algo que você vai poder continuar usando normalmente depois que o neném nascer. Mas não se iluda, não é qualquer vestido que vai caber, tem que experimentar!! Principalmente quando a barriga ficar enorme! E na pior das hipóteses e fizer muito frio, nada que um casaquinho por cima e uma meia calça de grávida (que costuma vender em lojas comuns e não só nas específicas pra grávidas) não resolvam. E, além disso, eles são extremamente versáteis pra qualquer ocasião.


"Não achei uma loja específica pra grávidas!"

Realmente esse tipo de loja não está em todos os lugares e é um pouco difícil de encontrar mesmo. Teve um momento que eu pensei "como eu queria usar uma calça jeans"! E aí? Aí que eu saí pra comprar mais uma calça legging pq eu não tinha esperança alguma de achar uma calça jeans de grávida na minha cidade. Rodei a tudo, mas não estava achando nada, nem mesmo vestidos que não ficassem curtos e claro que não custassem o olho da cara. Por último pensei em ir ao shopping naquelas lojas de departamento tipo "Leader, Riachuelo e etc" e pra minha surpresa elas tem uma sessão para grávidas. Vocês não podem imaginar a minha felicidade ao ver uma calça jeans E o que é melhor: por um preço bom!
"Mas Lis, aqui na minha cidade não tem loja de departamento e nem loja de grávida!". Uma coisa que eu também descobri é que existem GRUPOS de grávidas da minha cidade no facebook! Muitas grávidas usam esses grupos pra vender coisas pra outras grávidas incluindo as famosas "roupas de grávida", e o que é melhor, por um preço baixíssimo ou até mesmo fazendo trocas ou doações <3 É ou não é um amor? E mesmo que esses grupos não existam, procure uma mamãe próxima a você! Não tenha medo de fazer amizade com outras grávidas ou mamães que acabaram de parir. É nesse momento que nos sentimos tão sozinhas que precisamos dar as mãos pra aquelas que vão nos entender melhor.


Beijos, barrigudinha :*

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Por Mim - Sentido

ta tudo igual lá fora, mas aqui dentro eu já não sei. achava que sabia, que tinha controle da situação. já não sei. ta tudo igual lá fora, mas aqui dentro, um turbilhão. talvez seja pq você veio pra mudar. veio pra me mudar e girar meu mundo de cabeça pra baixo, sacudir tudo e confundir. talvez seja pq lá fora está mesmo tudo igual, mas aqui dentro, tem você. aqui dentro sou eu e você. como pode ser eu e você juntos numa coisa só? eu não sabia que alguém tinha poder de mudar tudo em mim. logo eu! principalmente alguém como eu! tão pequeno com tanto, mas tanto poder sobre mim. sabe, pequeno? por enquanto eu ainda não sei. mas eu vou descobrir. por você e por mim. eu não te prometo um mundo melhor, mas prometo o meu melhor pra mudar o mundo. sabe, pequeno, lá fora está tudo igual, mas não tem importância pq você está aqui. lá fora o mundo está um caos e você nem sabe, mas vai descobrir. e eu vou estar aqui. pq não importa o quão lá fora você esteja, vai estar sempre dentro de mim.

E.d.A.M.


Diário de Grávida - Ansiedade e a escolha do Médico

Oi, pessoal,

Hoje: 24 sem e 5 dias  ♥  6 meses
Previsão: 2 de março

A ansiedade anda me corroendo. Não que isso seja uma novidade, sempre sofri disso e não ia ser agora que essa minha velha amiga iria me dar um descanso, não é mesmo? Ao mesmo tempo que do lado de fora as coisas andam bem devagar, aqui dentro o furacão Elisa está comendo solto. É incrível como a ansiedade faz tudo parecer um monstro enorme prestes a me devorar. Assuntos bobos como a cômoda do quarto do neném viram um tabu (rs) e aí fico me controlando pra não pensar agora em coisas mais séries como amamentação e parto normal. Você vê, são 6:53 da manhã e ainda não dormi, nessas horas você descobre quantos pensamentos aleatórios conseguem surgir em menos de 3 segundos, é assustador.



Mas vamos falar de coisas boas, né? A fase "das trevas" chamada outubro felizmente passou. Achei que o mês ia durar pra sempre. Se eu pudesse definir o pior mês, diria que outubro já ganhou de lavada e eu nem preciso viver os próximos pra falar. Finalmente estou conseguindo respirar mais leve. 
Consegui vaga com uma médica ma-ra-vi-lho-sa de Niterói, o que parecia ser a tarefa mais impossível da vida, já que o meu plano de saúde aparentemente está falindo e devendo fortunas aos médicos (?????). Desde o começo da gravidez eu já sabia que era o melhor a ser feito, já que Cabo Frio está vivendo o pior momento desde que eu me lembro: Hospitais fechando as portas, servidores em greve, escolas encerrando atividade por falta de pagamento, todas as pistas com crateras enormes, o prefeito precisando ser internado numa clínica pra loucos, ou seja, ter o meu filho aqui não é opção. Já cruzei todos os dedos das mãos e dos pés pra que essa situação melhore quando outro prefeito entrar. 



Mas como eu estava dizendo, já passei por três médicos diferentes, e ela de longe é a melhor coisa da vida (não que os outros sejam tão terríveis assim, mas colocando lado a lado pra comprar... entende?). Só tive uma consulta, mas sério, já posso afirmar. Não tem coisa melhor que você ser atendida por um médico que te olha, te examina, te escuta, responde pacientemente todas as suas dúvidas, faz milhões de perguntas e tudo isso com toda simpatia do mundo ♥, tem? Mas como nada pode ser perfeito nessa vida ganhei a notícia de que na data prevista para o meu parto ela estará fora do Brasil... Ou seja. Como não sou maluca nem nada, continuo com o médico que eu mais gostei daqui, para casos de emergências e etc. Mas a dica que eu dou é: se você tem a chance de pesquisar bastante o seu médico antes de fixar em um, faça. Pois é muito importante que você se sinta feliz com quem vai cuidar de você durante toda a gravidez e fazer seu parto. E principalmente alguém que respeite suas opções e que te trate como um ser e não um número na sala de esperas. A cultura da cesária no Brasil é absurda (clica aqui pra saber mais sobre isso) e os médicos dificilmente fazem parto normal por motivos de: "Hoje, a opção por este tipo de parto se dá por ser mais conveniente para os médicos, que podem se programar para a cirurgia em vez de receber uma ligação inesperada no meio da noite e ter de passar horas acompanhando o trabalho de parto. Da mesma forma, um mesmo médico pode realizar várias cesarianas em um mesmo dia, o que as torna mais lucrativas que o parto normal." 


Ou seja, achar um médico que te pergunte: "Você vai querer parto normal ou cesária?" é um milagre daqueles, se agarre nele e não solte mais, ok? (ps: apesar de achar lindo, eu nunca cogitei fazer o parto humanizado, mas isso fica para um novo post, certo?)
Enfim, gente, pra resumir, pois já falei demais, as coisas finalmente estão se acertando, e eu vou aprendendo a lidar com meus sentimentos e minhas agonias um pouquinho todo dia, não é fácil mas tem que acontecer, mesmo que a passos lentos. O tombo é inevitável mas tem que levantar, por mim e por minha coisinha pequena aqui dentro.


Beijo, barrigudinha :*

domingo, 6 de novembro de 2016

'Terrible Two' por Stheffany Nering

Uma amiga minha me marcou nesse texto e eu preciso passar pra frente pois considero que todas as pessoas do mundo deveriam ler:

'Terrible Two'

Autora Stheffany Nering

O "chilique" acontece por quê? 
Não dá pra vir com essa de "é a toa" ou "é sem motivo" porque a única chance de isso ser verdade é se seu filho for sociopata. É uma suspeita que alguma mãe tem, por acaso? Alguém acha que tá criando um pequeno psicopata em casa? Nem tem como fechar esse diagnóstico tão cedo, mas é o único tipo de caso em que a criança faria coisas assim premeditadamente sem motivo nenhum.
Em geral, a resposta sincera é "eu não sei" e a gente normalmente não sabe porque não estava prestando atenção nos vários sinais que a criança deu antes de explodir. Não porque a gente é ruim ou má mãe, mas porque é ocidental, brasileira, vive em 2014 e nossa cultura é de ignorar crianças pequenas e impor que elas existam de acordo com a nossa conveniência
É como quando vem aqui uma mãe de bebê recém nascido, fala que o bebê chora muito, a gente diz pra pegar no colo, pra colocar o bebê no sling. Aí a mãe responde "mas eu fico com ele no colo o dia todo". Não, não fica! Não fica porque essa mãe não é uma aborígene do interior da Naníbia, não cresceu na Mongólia, não é índia da reserva do Xingú! Ela é ocidental, brasileira, vive neste século e não 1000 anos atrás. E as brasileiras não pegam o bebê por muito tempo no colo, pegam mais que as alemãs com certeza, mas não pegam muito tempo porque "tem coisa importante pra fazer". Fez sentido o exemplo?
Culturalmente a gente não presta atenção na criança. A gente cala o choro do recém nascido com chupeta e remédio. Ignora as tentativas de comunicação deles. Finge que não viu. Exige deles mais flexibilidade do que a gente mesmo é capaz. E passa por cima das necessidades deles "só dessa vez" que na verdade acaba sendo todo dia. Eles chamam e a gente diz "só um pouquinho" e esquece de ir. A gente senta pra brincar com eles, mas não tá ali de verdade. Porque tem milhões de coisas para fazer. E quando finalmente senta pra brincar se liga que nem tem tanta conexão com o filho assim, começa a mostrar como "tem que brincar" e ainda fica indignada quando a criança perde o interesse.
E aí, quando o negócio explode a gente não sabe da onde veio! E aí qual a explicação dada culturalmente? Que ele tá tentando te manipular, mandar em você, que não tem limites, que acha que pode fazer o que quiser.

Bem-vinda à contradição da maternidade ocidental!

Porque o "chilique" é o quê, na verdade? 
É uma desorganização neurológica temporária

Vamos falar de cérebro!Existem 3 partes de cérebro (ou pelo menos em termos de comportamento é assim que importa a divisão): o cérebro reptiliano, o sistema límbico e o neocortex.

Um bebê nasce com o reptiliano completamente desenvolvido. Ele é responsável pelos comportamentos involuntários que nos fazem sobreviver. É responsável por garantir que sobrevivamos. É ele que dispara o choro do recém nascido quando deixamos ele no berço, porque bebê ficar sozinho foi risco imediato à sobrevivência por muito tempo na história da humanidade. O instinto de sobrevivência atua aqui! Lutar ou correr, ou então paralisar numa situação difícil. Tudo regido por essa parte do cérebro. E aqui não há nenhum tipo de pensamento racional! Quando você, adulto, perde a cabeça é pra cá que você vem! E aqui não é possível analisar consequências, repensar escolhas, aqui não há raciocínio, só há ação. Um adendo: essa parte é quem vai reger o trabalho de parto, ato puramente fisiológico. Interessante, né?

O sistema límbico concentra emoções. Em geral se desenvolve quase totalmente até os 5 anos, com pico de desenvolvimento onde, onde, onde? No Terrible Two!!! E tem um outro pico na adolescência (qualquer semelhança, aliás, não é mera coincidência). Aqui vem uma enxurrada de emoções e sentimentos em reação ao que acontece, às experiências vividas. E, claro, da mesma forma como pra andar o bebê cai muitas vezes, aqui ele "erra a medida" muitas vezes. Ele tem muito pouca experiência de vida pra conseguir medir do jeito certo como reagir e muito pouco controle sobre essas emoções todas ainda, então a coisa sempre parece exagerada aos nossos olhos. Parece exagerada pra gente, cujo sistema límbico tá bem treinadinho já! As conexões aqui ainda estão sendo feitas e elas são reforçadas a partir das experiências diárias. Como isso acontece depende de como eles serão ensinados a lidar com essas emoções. Da mesma forma como pra aprender a andar é necessário prática. E, claro, uma criança com 1/2/3 anos de idade não tem quase nenhum controle sobre as próprias emoções, é uma enxurrada que toma ela de repente, o controle vem com o passar dos anos. E é por isso que crianças de 7 anos não fazem isso! Ou pelo menos, não do mesmo jeito que uma criança de 2 anos. Qual foi a última criança de 7 anos que você viu esperneando no chão do supermercado?